prestes maia e o transvampirismo

Posted on Junho 1, 2008. Filed under: Uncategorized | Tags: , , , , , , |

Talvez a singularidade do ACMSTC tenha sido seu vampirismo; não, não se trata do artista tomando sangue do sem teto nem vice-versa, me refiro a um encontro de vampiros… Vampiro como aquela figura monstruosa que bebe inescrupulosamente a vida alheia, e que tem que sustentar nesse ato cotidiano de sobrevivência o paradoxo existente entre morte e imortalidade. Não é entre vida e morte dos humanos que reside o conflito ético do vampiro, mas entre matar ou imortalizar em cada mordida. O vampiro como a figura que carrega sempre outra dimensão de existência (sensação/percepção), que vive em outro mundo, mesmo que seja o velho e mesmo mundo; que carrega enquanto vivente, extraordinária potência de devires com toda a intensidade que lhe é possível e que, no entanto, sofre a crueldade de sua eternidade por sabê-la, ao mesmo tempo, livramento dos conflitos ordinários dos homens, mas também, convivência com sua patética repetição e morosidade. Digo que o evento ACMSTC teve um caráter vampiresco por compreendê-lo como uma reunião de potências, que de jeito nenhum é um encontro de iguais. Como poderia ser especular um evento monstruoso de inúmeros infinitos? Trata-se sempre de um encontro de profunda alteridade, repleto de desmesuras e insuspeitáveis idiossincrasias. O perigo de sua extensão cronológica se dá pelo fato de os vampiros serem altamente destruidores e passionais. Sua presença insistente produziria uma devastação territorial, guerras de poder e formação de governos sanguinários. Já suas reuniões eventuais são de grande intensidade e a intensidade, independentemente dos corpos que a ocasionam, é por si mesma infinita. Que sobre ela – a intensidade ética – como leitmotiv do EVENTO. O evento deve ter sua própria temporalidade, impulsionado por emergências pontuais e ser EFICIENTE, pois é tempo/espaço constituinte, que tem como função fazer tudo pulular. No evento se criam linhas que proliferam e outras que se partem. Que partam! Como os pássaros partem, com sementes invisíveis nas garras “É no novo mundo dos monstros que a humanidade tem de agarrar o seu futuro”1.

fabi borges – 2004

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