a gigante de michaux

Posted on janeiro 25, 2008. Filed under: Uncategorized |

A gigante de Michaux

Sua beleza não era tanta, grandes olhos pretos, imperscrutáveis, tinha aquele delicioso caminhar, mistura de displicência e intrepidez, pouco medo, olhava nos olhos e quando os desviava, o fazia deliciosamente.

Era brilhante, não uma erudita intelectualóide cheia de opiniões sobre tudo, mas sabia do que se falava e opinava com todo o corpo, acariciava os joelhos, mordia os lábios e por vezes se babava, esquecia de engolir para dar seus palpites. Ria graciosamente com timidez e gargalhava exageradamente, ainda com timidez.

Seu corpo era feito de pele macia, gordurinhas localizadas em lugares que era bom de acarinhar. Enfim quase mulher comum, não fosse sua singularidade.

De repente se agigantava, criava mundos, tal qual visionária possuía a virtualidade do futuro na mão, logo depois se arrastava _ Falácia_ ainda sofria por Platão. Não fosse ele inventar a tal de perfeição e sua busca, não sofreria agora, 2500 anos depois de incapacidade de atingi-la.

Na cama ela virava a gigante de Michaux, sua entrega, sua loucura e desejo espantava seus parceiros a ponto de os apaixonar.

Me confessou um dia que todos os pedidos que fez diante de estrelas cadentes, moedinhas em poços, fitinhas no pulso, foi o de ser amada, invariavelmente, e padecia dessa concretização.

Era amada demais.

Seus pequenos flertes sempre viravam grandes paixões por parte de homens, mulheres, crianças e mestres, gostava de todos, mas preferia os mestres. Sempre os teve por perto, para aprender qualquer coisa, sabia aprender, era ávida e impaciente para isso. Não suportava conversas medíocres e diurnas, preferia a noite, as confissões, as almas que se esvaem na mesma velocidade que as bocas esvasiam os copos de cerveja degustando-a, entre cigarros e risadas, espíritos deixam os corpos e vagueiam em realidades criadas no ato, associação livre, e isso a deliciava. Pena que a maioria das pessoas não se davam em sacrifício como ela o pretendia.

Era minotaura, gostava de ter todos perdidos em seus muros labirínticos, encantadores, a darem-se em sacrifício para o seu acalmar.

Intransigente, incapaz de abrir mão do seu desejo, sugava todo o sangue de suas vítimas até não sobrar nada, no caso dos homens, nem sangue nem porra, dos mestres, os enjoava rápido, pegava suas lógicas, bebia seu cérebro com canudinhos invisíveis e os dissecava, só era inocente diante do que desconhecia, seus olhos aumentavam o dobro e sua boca se abria para beber os saberes, os prazeres, os afetos.

Ah! como a amava, aquela malvada!

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