bares do centro

Me deixa tocar teus peitos eu disse, me aproveitando da minha embriaguez, dando vazão ao desejo escuso que surgira naquele exato momento.

Ela falou dos meus olhos azuis e me chamou de apelido fácil: Poderosa!

Seus seios pretos duros deslizavam pelos meus dedos;

vontade de chupa-los ao mesmo tempo em que sentisse seu falo negro se eriçando.

Estranho amor. Quis compor elegias àquilo que já fora homem e agora: um personagem patético que desfila nos bares do centro, com tanga enfiada no cu dando espetáculos da sua arbitrariedade.

_Tenho um passarinho amarelo! Enquanto gorjeia o pássaro, ela lembra que não é comum e bebe outra vez, acariciando de leve o umbigo.

Sempre se esvai vazia e fácil, tratando a humanidade como público do seu desatino.

Eu me transformo aos poucos em sua expectadora mais doente. Ouço seus passos altos estaqueando a madrugada.

De traz das cortinas da minha sacada lhe espio o destino e percebo minha crueldade ao dar risinhos perversos por sabê-la triste.

O que teria eu a lhe oferecer? Uma boceta delirante, peitos de verdade tão inferiores aos seus – inventados; uma cabeça de mulher sensível que sonha em se travestir…

Quero tê-lo-travesti com peito penis bunda, pássaro amarelo e cor de láudano.

(2003)

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