bares do centro

Posted on janeiro 25, 2008. Filed under: Uncategorized |

Me deixa tocar teus peitos eu disse, me aproveitando da minha embriaguez, dando vazão ao desejo escuso que surgira naquele exato momento.

Ela falou dos meus olhos azuis e me chamou de apelido fácil: Poderosa!

Seus seios pretos duros deslizavam pelos meus dedos;

vontade de chupa-los ao mesmo tempo em que sentisse seu falo negro se eriçando.

Estranho amor. Quis compor elegias àquilo que já fora homem e agora: um personagem patético que desfila nos bares do centro, com tanga enfiada no cu dando espetáculos da sua arbitrariedade.

_Tenho um passarinho amarelo! Enquanto gorjeia o pássaro, ela lembra que não é comum e bebe outra vez, acariciando de leve o umbigo.

Sempre se esvai vazia e fácil, tratando a humanidade como público do seu desatino.

Eu me transformo aos poucos em sua expectadora mais doente. Ouço seus passos altos estaqueando a madrugada.

De traz das cortinas da minha sacada lhe espio o destino e percebo minha crueldade ao dar risinhos perversos por sabê-la triste.

O que teria eu a lhe oferecer? Uma boceta delirante, peitos de verdade tão inferiores aos seus – inventados; uma cabeça de mulher sensível que sonha em se travestir…

Quero tê-lo-travesti com peito penis bunda, pássaro amarelo e cor de láudano.

(2003)

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