carta de uma militante ao pt

Posted on janeiro 25, 2008. Filed under: Uncategorized |

É importante fortalecer o partido?

O PT deseja a democracia, cria mecanismos de participação popular nos seus mandatos, mas recai nos mesmos sistemas burocráticos tradicionais da velha esquerda que enfraquece suas propostas e acabam por criar métodos autoritários no tocante a implementação dos seus programas.

Isso acontece no orçamento participativo, onde as pessoas podem votar e de certa forma “escolher” para onde vai o dinheiro público e em que vai ser aplicado, mas não podem participar efetivamente da sua execução, ou seja, decide-se que se fará uma praça em tal vila, mas não se pode dizer como, de que jeito, para que, no final das contas o poder de “feitura”, acaba ficando nas mãos dos especialistas e dos políticos profissionais.

Isso acontece também na criação do programa de governo do PT, “alguém” decide de que forma será organizado, definem os eixos estruturantes do programa e os militantes tem que discutirem o pouco que lhes resta em salinhas fechadas, sabendo de antemão que não participarão da sua efetivação, a não ser que já se esteja cotado-articulado para tal.

Obviamente o fato de termos orçamento participativo e programa de governo, assim como outros programas, nos coloca num lugar bem distante dos governos de direita, entretanto, se o intuito não é comparação mas ação, ainda estamos muito distante do ideal tão difundido entre os companheiros, do que vem a ser democracia; aliás, bem próximos do que acontecia na Grécia, de onde o conceito é oriundo, onde só uma parcela da sociedade podia votar e estavam mais envoltos à arte dialética, ao domínio da lógica lingüística (não esquecendo que o domínio de códigos, é uma fabulosa arma excludente), do que propriamente importando-se em diluir o poder de forma à criar um estado popular.

No ano 2000, na criação do programa de governo da prefeitura, pudemos nos deparar com algo inovador: O programa foi pensado de forma a contemplar os projetos e não as secretarias, ao invés de cada secretaria se dividir para discutir o seu próprio programa e se subdividir em grupos de trabalho para discutir seus subprogramas, as pessoas de todas as secretarias e interesses tinham que se reunir em torno de projetos norteadores do programa da prefeitura, meio ambiente como projeto e não como secretaria, inclusão social, cultura, assim por diante isso favorece a democracia de várias formas:

1º- Amplia o debate, porque mais pessoas se sentem convocadas a participarem do que consideram importantes para um programa de governo,

2º- Propicia que os interesses pessoais, aqui me refiro mais especificamente ao interesse no poder, sejam enfraquecidos porque a disputa é mais no plano dos interesses das idéias e projetos,

3º- Cria tradição de inter-relação da militância com a sociedade civil, desta com o poder e principalmente, no diálogo entre as secretarias, que são feitos anteriormente a se assumir o poder, pois seja quem for que assumir já está comprometida com projetos em comuns, facilitando então o trabalho em comum.

Aliás, parece que o pt ainda não se deu conta da importância que tem o trabalho intersecretarias, os projetos perpassando todos os poderes e saberes e se encontrando sistematicamente para discutir sua implementação.

Até quando deixaremos que morador de rua seja um problema só da FASC e arte seja só da SMC, será que não temos experiência o suficiente para compreendermos que tudo está interligado, que arte, também é um problema da SMOV, da SMED, etc.

Já temos tido alguns projetos andando conjuntamente e só não dão mais certo, tenho certeza, porque ainda não criamos uma tradição séria de transversalidade no poder.

Existem inúmeras outras vantagens do trabalho interligado, mas parece que está no plano do invisível. O fato de o programa de governo deste ano para o estado, voltar a ser organizado da velha maneira, secretarias reunindo-se com os seus, já com suas idéias pré estabelecidas , lavando a roupa suja e disputando o poder, demonstra isso.

Está na hora de se compreender o papel que nosso partido está desempenhando em nível mundial, é o foco internacional no tangente à políticas públicas, é considerado uma alternativa ao domínio neoliberal, é visto como ressurgimento de um projeto de esquerda possível.

Então, o que penso é que devemos nos dar conta desta responsabilidade e criarmos uma tradição de democracia, seja na criação do programa de governo, seja no orçamento participativo, seja nas comissões de gerenciamento misto, seja em todo e qualquer projeto proposto. Assim estaremos mais perto do ideal democrático tão difundido e da imagem que temos mandado para os paises que acreditam em nós.

Uma militante (2000)

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