cut ups feitos por fabi borges e thiago novaes, holinda 2006

Posted on janeiro 25, 2008. Filed under: Uncategorized |

EXPERIÊNCIAS SUBMIDIÁTICAS

Outubro, 2006. Um bando internáutico
se encontra presencialmente pelas lombadas
insinuosas da carnavalesca Olinda. 

Muitos se conhecem de longa data, outros trocam
programas, compartilham informações, se tratam
com intimidade sem nunca terem se conhecido a
não ser por listas, sites, wikkas-wakkas e
foruns virtuais.

A zona temporária risomática instalou-se no
Centro Luiz Freire - Casa do Turista, e por
uma semana imergimos num clima exuberante de
cultura livre, pornografia livre, hardware
livre, tubarões livres e famintos,
notebooks não tão livres, rádios livres,
mangues, tapiocas de queijo, paus de índio,
placas de programação e memória.

Muitos trabalhos foram criados, mostrados,
mixados e Compartilhados; entre eles salientamos
alguns devido a importância que teve para a
constituição de sub-ritos de intervenção e celebração comum.

Choque coletivo: com um estabilizador e um
moderador de energia, alguns fios e muitas
voltagens dáva-mos as mãos em total confiança
de que não nos separaríamos por ocasião do choque
que nessa hora já percorria nossos corpos,
enquanto gritávamos todos juntos eriçados
com essa estranha droga que nos deixava loucos.
Um segurava o fio de um lado e o outro do outro
enquanto o choque percorria em oscilação de
energia os braços dados de todos. Corpos
e fios em um estranho rito de confiança e
passagem de energia vibrátil. Novas drogas possíveis.

Jardim de volts: Com algumas moedas de cobre,
parafusos banhados a zinco, fios de energia com
clips feito prendedores nas pontas, facas,
etiquetas adesivas, LED com baixa taixa de
voltagem, caixinhas pretas de filmes fotográficos
e pregos é possível extrair energia de
plantas ou frutas como limões, limas, folhas de
bananeiras e outras. Essas voltagens que não são
absolutas e sim oscilatórias podem ser transformadas
em bits e consequentemente utilizadas para criação
de sons, imagens,filmes e programas. Um jardim
coextesivo que liga plantas e corpos introduzindo-nos
a outras dimensões perceptivas e existenciais da
energia vital que circula em nosso meio, propondo-nos
novas danças e novas combinações que carinhosamente
são chamadas pelos proponentes de "cultivos de dados". 

O jardim de volts além de ser um projeto divertido
é extremamente político e interventivo porque
propôe a interface imediata com o meio ambiente
amplificando seu-nossos sinais.
( http://www.estudiolivre.org/JardinDeLosVolts).

MimoSa: São oficinas para a construção de uma
máquina de intervenção urbana e correção
informacional,ou uma mídia móvel (S.A.).
É uma máquina construída durante oficinas de
metareciclagem,onde o objeto máquina personifica-se,
grava histórias locais e as publica na internet e
em outros meios.

Mimosa está sendo desenvolvida em vários locais
do planeta como Barcelona, Porto Alegre, Salvador,134
São Paulo,Farkadonna-Grécia, Manchester-UK, etc.
Mimosa não foi a Olinda, mas foi apresentada
através de fotos e vídeospor Balbino-baiano.
Uma das intervenções que Balbino mostrou
foi Mimosa  construída num carrinho de café
passeando pela periferia de Salvador onde,
entre outros acontecimentos, encontrou um
compositor que tinha o sonho de gravar um cd.

Seu som foi gravado e disponibilizado na internet.
A presença da Mimosa em certos locais tem
capacidade de alterar o cenário imaginário de
produção midiática e acelerar processos críticos
em relação a repressão midiática e sistemas de
distribuição que todos sofremos, pois sua
intervenção se dá nessa pequena relação com o
outro, como forma de disponibilizar
acesso, ampliar as possibilidades de construção
dos seus próprios meios midiáticos através da
apropriação e reciclagem de lixos proprietários.
(Cfe.http://www.midiatatica.org e
http://www.turbulence.org/Works/mimoSa).

Afora essas intervenções muitas outras coisas
aconteceram. A mais surpreendente foi a forma
mesmo de organização do encontro. Não foi feito
de modo a obedecer rígidos cronogramas. Via-se
grupos formando-se e desmanchando-se por
todo lado.

As pessoas se apropriavam da rádio livre instalada
desde o primeiro dia do evento na casa de cultura
que nos abrigava,e criativamente pariam um programa
de rádio qualquer, cheio de inusitadas conversas e
sonidos dissonantes; as oficinas iam sendo montadas
por quem quizesse compartilhar sua
pesquisa, algumas discussões mais "sérias" ainda
priorizavam um certo fetiche pela oratória sucumbindo
ao crime de opinião, mas nem de longe foram as
partes mais fundamentais do encontro. A cartografia
dos afetos seria o mais interessante mapa a ser
montado, pois em um ambiente onde resistors e
transistors tornam-se adereços estéticos, pixels
adesivados tornam-se instalações de paredes e
corpos,correntes elétricas são utilizadas como
drogas coletivas, os afetos pululam e muita
aprendizagem se dá de um modo imanentemente imersivo.

Tínhamos ainda um grupo formado somente por
mulheres chamado g2g, que discute a questão de
gênero e tecnologia, pois é notória a distância
que existe entre as mulheres e a programação de
softwares. Afim de compartilhar a discussão
de nossas conversas na lista criamos espontaneamente
um debate transmitido via rádio sobre essas
questões, mas o que deu mesmo pano pra manga foi
a idéia de pornografia livre,
que se propôe a mudar o estilo da pornografia do
mercado inserindo outras questões que levam em
conta coisas como compartilhamento de intimidade,
erotismo e sensualidade que são disponibilizadas
nas redes da web. Alguns vídeos foram
passados e um número novo de ativistas dessa nova
onda pornográfica-tecnológica se criou.

Para terminar, confesso: Houve muita festa, dança,
shows com mediasana, rádio livre-se, banhos de
mar, comilanças,intervenções, insurreições e
corpos em crise.

A compilação do evento só é possível pelo
compartilhamento das captações produzidas e pelas
reflexões continuadas.

Conclusão não há. Somente vontade de continuar
fazendo o que já se está fazendo e seguir
expandindo conceitos-práticas como descentro,
cultura livre, comparilhamentos e
submidiologias.

O que é submidialogia?
A ARTE DE RE:VOLVER O LOGOS DO CONHECIMENTO PELAS
PRÁTICAS E DESORDENAR AS PRÁTICAS PELA IMERSÃO NO
SUB CONHECIMENTO. A idéia dessa conferência foi
tentar criar um espaço tempo de subversão das
práticas e teorias sobre tecnologia, linkar
diferentes experiências para ampliarem-se em
novos pontos de vista, incentivar a teoria sobre
as práticas, para que estas não se anulem tornando-se
utilitarismo, incentivar práticas
sobre a teoria, aplicando experiências em prol de
uma(sub)concepção do aparato tecnológico midiático.
Encontro em Olinda 12 a 15 de outrubro. Olinda.

Prá ir mais a fundo está aí alguns sites:
http://www.radiolivre.org
http://www.midiatatica.org
http://www.estudiolivre.org
http://www.turbulence.org
http://www.sarava.org

Cut ups feitos por: Fabiane Borges e Thiago Novaes

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