emails trocados

Posted on janeiro 25, 2008. Filed under: Uncategorized |

Faby:

Desculpe a demora em responder, só abri hoje (domingo 13/02).

Também gostei muito de ter passado contigo algumas horas, como a muito não fazíamos, reencontrei vc como eu desejava. Nas ultimas vezes que tinhamos conversado foram conversas rapidas e quase formais. Quero não perder os laços contigo, quero poder conversar sem formalidades e que possamos naturalmente nos mandar tomar no cu.

Tu é talvez a única pessoa que em mim não se transformou em uma personagem porque a tenho como sagrada. Passolini fala sobre isso em Medéia (la vem eu com meus comentários chatos sobre filmes). Em Medéia há um personagem mitico, o centauro. No começo, quando Jasão era criança, via no centauro um animal fabuloso, cheio de poesia; depois, pouco a pouco, com a idade, o centauro torna-se razoável e sábio, e ele acaba por ser tornar um homem. Quando Jasão se dirige à casa de Medéia, é chamado por seu nome pelo centauro, que lhe aparece, desta vez, desdobrado: um é centauro que Jasão via quando criança; o outro é o que vê na idade adulta (em forma de homem). Segundo Passolini, este encontro dos dois centauros significa que a coisa sagrada permanece justaposta ao ser dessacralizado: se vivendo se realizam algumas superações, o que se era antes não desaparece. No final, a superposição dos dois centauros não os abole. Eles estão justapostos. O progresso é uma ilusão. Nada se perde. Faby: tenho por ti uma admiração que acho, não percebes. Acredito e, sempre te disse isso, que tens uma talento e uma potencia muito forte. Se eu tivesse muita grana faria como Engels fez com Marx lhe cobria todas as necessidades para que pudese ter tempo livre para criar. Falar nisso gosto muito da frase de Engels ao ver o amigo (Marx) morto:”Que coração deixou de bater”. Engels adimirava a capacidade criativa de Marx mas sua frase não foi de elogio a inteligência mas de um enorme carinho pelo amigo.

Não gosto quando as pessoas achando que te elogiam falam como tu é “louca” pois despolitizam teus “escandalos” e simplificam tuas negações.

Novamente retomo Passolini (estou apaixonado por sua obra tanto a cinematográfica quanto seus escritos politicos, para mim ele foi um visionário da globalização mas falo disso mais tarde contigo) enfim ele dizia o seguinte: ´”É necessário com a crescente massificacação negar e escandalizar não como denuncia mas como revolução”. O escandalo torna-se o meio de sua existência, desde que, para ele, escandalizar é um direito e ser escandalizado um prazer, sendo moralista quem se recusa a ser escandalizado.

Sinto uma falta de nossos dialogos, de troca de dúvidas. Me sinto um solitário aqui em Porto Alegre não tenho mais com quem conversar, nem mesmo com o Doca me acho reconhecido, meus companheiros de PT não me disem mais respeito, olho-os com estranheza. “A morte não é não poder comunicar mas não ser compreendido”, outra de Passolini. To com muita vontade de fazer coisas. Ta na hora do malandro voltar a praça outra vez só que sinto falta de uma sustentação, de parceiros. Na verdade não sei. Talvez de um centauro.

Bom espero não perder mais o contato contigo, como fiz deliberadamente em 2003. Mas precisava me afastar de todos e acho que compreendes-te isso pela forma carinhosa como me tratou em todos nossos reencontros.

Por último te indico a dar uma olhada na obra do Passolini (filmes e escritos) acho que vais concordar com muito de seus pressupostos.

Passolini morreu assassinado, foi linchado e ainda passaram com o seu carro por cima do corpo. Segundo Félix Gattari “Passolini devia ser o portador de uma carga subversiva de uma força excepcional para que potências ocultas decidissem, como elas fizeram, suprimi-lo.”

Penso que tens o mesmo.

De quem te admira e te ama

Paulo Wayne

Obs. Como tens internet rapida baixe filmes pelo E-mule se precisares de legenda para eles tenho como te explicar como conseguir. Não loco mais filmes e ainda encontro uns muitos raros no E-mule. Assim podes ter tua videoteca. Pois podes gravar os filmes em cds comuns. Me escreva que te explico melhor como eu faço.

Beijos.
Fabiane Borges <fabiane_borges@hotmail.com> wrote:

Nosso reencontro

nos bares de Porto Alegre

Fizeram-me relembrar

conversas esquecidas..

um olhar seu para o mundo

que estava embotado em mim..

Uma comicidade contida

uma ironia sensível

um jeito de bater de ombros

e se conformar

tua presença me torna forte

e é tão bom que se possa

criar laços duradouros

nessa vida onde tudo

se extenua fácil.

um beijo

boa sorte

fabi

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