entrevista de andré mesquita com fabi borges

Posted on janeiro 25, 2008. Filed under: Uncategorized |

André Mesquita pergunta:

1-A palavra “urgência” (desde Parachute) tem aparecido com muita freqüência

nas entrevistas que realizei. Ao serem questionados sobre o porquê em atuar

no espaço urbano, muitos dos artistas responderam que existe uma urgência do

real (a cidade pede uma intervenção), ou talvez porque essa urgência estaria

ligada a uma transformação da produção e circulação da arte (como a criação

de novos espaços independentes). Um “evento transconectivo” como o ACMSTC

foi organizado em pouquíssimo tempo e muitas das atuações posteriores dos

coletivos dentro do Prestes Maia responderam apenas às demandas e

necessidades daquele contexto. Na sua opinião, no encontro entre coletivos

de arte e ocupação, o que os artistas aprenderam com esses trabalhos

surgidos de forma quase imediata? Como você vê essa relação entre o tempo da

urgência por moradia e o tempo necessário de criação estética e

sistematização de experiências?

André, vamos começar assim… eu não sou uma artista de fato, sou uma psicóloga, que desde antes da psicologia já era envolvida com movimentos sociais e problemas sociais, há 16 anos mais ou menos…. comecei muito cedo a trabalhar com o que se chamava de menores abandonados, hoje situação de vulnerabilidade social ( antigo risco),,,

Antes de vir a são paulo, eu estava imersa no mundo dos meninos de rua em porto alegre, em função de supervisionar 15 oficinas

de inclusão cultural da secretaria de cultura de poa e trampar no projeto paica e na sec. educação, e também com presidiários, e movimento campesinos.

Por estar ligada ao PT e participar muito de reuniões debates e grêmio estudantil e DCE, essa coisa toda já era quase um cotidiano,,,, modo de vida mesmo.

Eu gosto de trampar com arte, mas realmente não tenho nenhum talento,,,, só faço algumas performances, por pura necessidade.

acredite ou não,nunca fiz nenhum trabalho de performance para nenhuma galeria… Espero mudar isso em breve….

enfim…

a urgência do real é coisa antiqüíssima na historia do mundo,,, essa urgência é a sensação da porra da injustiça do mundo.. Do poder de uns sobre uma suposta massa.

E acompanhamos nosso tempo…. Ondas geracionais…. Acessos e excessos fazem parte dessa virada de século… E nos envolvemos

nessas tendências,,,, As da comunicação por exemplo… Esse bum no mundo… Esse novo espaço público ocasionado pela força do jornalismo e da publicidade.

Mas… Claro… Movimento social assim organizado nas formas do MST ou MTST é novidade no Brasil, se pensares no atual quadro de quase todos os movimentos de moradia e terra e indígenas organizados dessa forma institucional, burocratizada e oposicionista… Isso tem 20 anos… O mov. de moradia também… A própria mariah leike vivia dizendo dentro do prestes maia que os primeiros ocupadores foram os negros quando na sua condição de escravos que fugiam e lutavam pelo abolicionismo, ocupando espaços muitas vezes abandonados ou inutilizados pelo mundo branco, mas por não terem cnpj, demoraram a ser considerados um movimento social e sim um dês-bando marginálico.,,,, Não mudou muito até agora, mas já mudou bastante… Enfim, tô viajando.

Mas só quero que saibas que não consigo pensar a partir do lugar de uma “artista” conforme se crê usualmente que isso signifique, e sim como uma pensadora/interventora da produção de subjetividade.

O que talvez tenha sido mais explosivo no prestes maia foi a profunda alteridade.

O encontro com aquela arquitetura, física espacial e subjetiva

Quando falo física, tô falando do prédio mesmo…. Quem tava preparado para o encontro com aqueles salões gigantes repleto de casinhas de madeirite e lona preta? O primeiro dia que entramos lá tivemos um desbunde mesmo… E na real pouquíssimos dos participantes já tinham entrado em contato com uma ocupação,,, inda mais daquele estilo decadente modernista… Foi um susto pra todo mundo…. Que falem os arquitetos disso,

saberão mais do que eu o quanto a arquitetura física pode influenciar uma coletividade.

A espacial era o da circulação interna e externa… As pessoas andavam de um lado pra outro o tempo todo… Os moradores os artistas os outros todos… Como não havia elevadores, as escadarias eram verdadeiros espaços de circulação, onde aconteciam a maioria dos encontros, entrevistas, escolhas de montagem de obrasarte tanto dos moradores quanto dos de fora, discussões e tals.

A subjetiva foi a mistura disso tudo. Muito mais importante do que o encontro com a institucionalização do movimento foi o encontro com as pessoas… Era muita diferença circulando num espaço muito grande e louco… Pelo menos para a classe mediana paulistana …

Eu acho que foi isso que deu esse caráter de urgência e amplificação ao Prestes Maia. E o fato de ter sido talvez um dos poucos eventos desse processo artístico de abertura de espaços e formação de coletivos, que abriu mão da curadoria para provocar um encontrão as verda!!!… ehehehe! Cria agora! Te experimenta na alteridade! Vai guri!!! Foi isso e mais todo resto..

2-Agora mudo o foco da pergunta e penso nos moradores do Prestes. Em um

texto sobre o ACMSTC, você diz que o Encontro na Ocupação foi uma

“experiência arriscada, subjetiva, assimétrica e política”, o que sem dúvida

eu concordo. Passados mais de três anos, de que maneira essa experiência

estética (e às vezes festiva) conseguiu mudar a vida dos moradores da

ocupação?

André, eu não saberia dizer em que o acmst mudou a vida dos moradores da ocupação… Enfim… eles são muitos e muito diferentes entre si. Não são uma macarronada cheia de fios da mesma cor.

Enquanto movimento social, o encontro com os artistas propiciou que eles começassem a utilizar melhor a mídia e os métodos/táticas de fazer repercutir mais amplamente suas ações públicas.

Foi notório que a partir do encontro com os coletivos de arte, o movimento dos sem tetos começou a incorporar modos performáticos, publicitários e panfletários mais criativos em suas ações, e isso teve a cooperação de grupos ativistas e artísticos que participavam da construção das ações… O enterro do Plínio Ramos foi um arraso!!!!. As manifestações em frente à secretaria de justiça… Aquele monte de crianças com chapeuzinhos em forma de casinha, as camisetas escritas de letras que iam criando frases, isso rolou no centro de São Paulo principalmente a partir do ACMSTC e repercutiu para outros movimentos também.

Mas isso também é geracional,,, náo é nenhuma grande invenção,,, Se pensarmos nas performances do MST por exemplo,

ou nas próprias danças indígenas em frente ao Congresso Nacional, pedindo chuva… Vemos que já estamos diante dessa inovação plástica das manifestações sociais dos movimentos políticos do Brasil, e no mundo…. As passeatas do fórum social mundial

sempre é puro carnaval… muita fantasia reivindicatória,,,, muita performance para amplificar o drama social, no seu melhor sentido, bem mais divertido do que os patéticos desfiles da sapucaí… mas mesmo esses tendem a aprofundar sua manifestação… Espero que seja uma questão de tempo… Bom… uns dizem que essa novidade estética das manifestações estourou mesmo com os Black Blocks e tals.

No que isso tudo muda a vida dos moradores da ocupação? ah! espero que mude muito, que empodere, que incentive á criação e participacão que incentive a juventude à produções coletivas de modos/métodos de manifestar seus desejos, inclusive dentro das ocupações, onde realmente até agora não vi papel muito relevante dado a juventude, claro no MST já temos outra realidade, até pq já estão a mais tempo na luta, mesmo assim o próprio MST reclama do número de evasão da juventude dos acampamentos e assentamentos… É pq falta políticas de juventude dentro dessas organizações ainda sisudas de mais, sérias de mais e autoritárias. Acho que essas intervenções artísticas tem esse poder de dinamizar o papel político, ritualístico, performático dos movimentos sociais….. Colocando-as mais próximas de seu papel ontológico de intervenção nas formas de vida desse mundo. O que eu acho chato, é que os grupos deixem de ser criativos para aderirem a burocratização do movimento social, convertendo-se em participante do movimento e esquecendo a real e mais rica contribuição que podem dar que é a criação e a reciclagem das coisas, esse negócio mesmo de mudar a coisa em algo que não tava ali. Foda-se a burocracia e autoritarismo dos movimentos sociais.. Repetição da estrutura de poder do estado., sempre os mesmos nos postos de coordenação…

3-Um novo pedido de reintegração de posse está marcado para o dia 4 de março. Como você vê a atuação dos coletivos de arte diante desta situação?

Acho que essa luta é mais antiga e mais forte do que o movimento dos coletivos de arte, acho que os coletivos devem continuar participando da organização das ações públicas e produzindo

novas estéticas, mídias e publicidades para os eventos dos movimento sociais, a fim de que essa colaboração se efetive de fato,, sejam eles públicos ou dentro das ocupações… Daí a importância das oficinas, os trabalhos de grupo feitos dentro da ocupação.. O fortalecimento das bibliotecas, e principalmente o fortalecimento de oficinas e grupos e idéias que já existem dentro da ocupação, fomentando que existam mais… Essa coisa da coordenação escolher quem será o líder do que, é um atraso dentro do Movimento dos sem tetos… Só não é pior do que governos como o do Serra. E olha que nem sempre.

Contra esses monstros governantes… Não há coletivos de arte que dêem conta…. Tampouco os sem tetos/terra vão resolver sozinhos…

Como diz a Gira: “Quem representa o POVO?”

Isso é políticagem dura e pura…

Isso é necessidade de convencer a sociedade a apoiar o movimento… Isso é abertura política interna e externa do próprio movimento social, que tem que aprender a respeitar seus militantes (rebanhos), como querem ser respeitados pelos seus representantes políticos, enfim…

Mas acho que o que acontece no prestes maia é especial, pq cada vez que rola uma ameaça de despejo, os grupos se juntam cada vez mais criativos, às vezes olho coisas que nem acredito: confesso que aquele

zumbi somos nós do três de fevereiro, foi maravilhoso… Assim como o território sp, e todas as festas espantalhafatosas do eia, e performances e enterros… É a criatividade e empoderamento de todos que está ganhando com isso…

Falta saber como as inovações estéticas, performáticas e mídicas associadas ao movimento social dialoga com o governo principalmente direitista… Como fazer a performance social ganhar dimensão de realidade como consegue a porra da novela das oito

e o Big Brother,,,, Isso temos que pensar…. Como se amplifica os sentidos para além da amplificação dos gestos?

4- Penso que existe uma aproximação em sua tentativa de produzir no corpo, a

partir da performance, “imagens que expressassem os afetos da rua”, com

aquilo que o Antropólogo Victor Turner chama de “drama social”. Cassandra

como personagem propõe momentos de mudança, rupturas e crises. Que

possibilidades você vê no processo ritual em auto-valorizar e potencializar

os indivíduos com os quais Cassandra interage nas ruas e nas ocupações?

Cassandra é isso que ela é mesmo. Ela não sabe, ela representa o que não tem resposta… Só sustenta paradoxos… Não há consolo nem tão pouco só tragédia… Paradoxos e mais paradoxos. Cassandra aponta tudo que vê, e costuma ver muito…

Ela tem momentos intensos de xamanismo, aí não é mais Cassandra.,,, Aí é corpo afetado que afeta e é afetado e responde

ao afeto e afeta de novo… Ela diz um pouco de todas as mulheres… Ela é louca e fala o que tem que falar, inda diz: quem tem ouvidos

para ouvir, ouça; Como se fosse mesmo importante ouvi-la… Ahaha é engraçado!!!!

Eu tive alguns problemas com a Cassandra dentro das ocupações, principalmente com algumas figuras da coordenação, que começaram

dizer que eu mexia com magia negra.. E sabes como São evangélicos nossos militantes. Antes eram todos católicos.

Eu ainda não consigo falar da Cassandra, Mas ela me toma como sensação,,, Eu sinto algo como se ela fosse

mesmo uma entidade artística, performática.,, Me coloca em outro estado de consciência… Amplia minha força.

No dia 2 de julho de 2005 que foi o primeiro dia do integração sem posse, que alias eu tava na organização, fiz uma performance alá Cassandra à noite, onde parei todos carros da avenida Prestes Maia, eu e o Felipe – o gaiteiro – e alguns seguranças da ocupação, que na real tinham que nem ter se metido na parada, mas ficaram afetados pela coisa e entraram na performance também…. Isso foi violento, forte, arriscado, irresponsável e absolutamente performático, do jeito ontológico… aquele que fala de todas as dores do mundo numa caricatura de dor… Um gesto explícito e extremo. Chorei até me esvair. E foi a minha despedida, sacou? Depois daquela performance totalmente política seríssima e desvairada, eu não consegui mais

fazer nenhuma performance no Prestes Maia…. Falo disso na minha dissertação…. Performance despedida”.

O meu trabalho foi consumado. mas não o trabalho dos coletivos no prestes maia, ele continua com ardor, pelo que sei… Meu apoio

agora é na retaguarda, e na exposição contínua das coisas feitas no Prestes Maia, por onde vou passando., Nos cursos que dou, nas aulas para alunos de jornalismo e publicidade… O trabalho continua sempre… Só que é nômade…

O prestes maia mesmo que seja desocupado, continuará sendo um espaço de referência para muita, muita gente…

Capaz até de virar um centrão cultural. Já pensou?

Desculpa, não consigo ainda falar da Cassandra com clareza…. E olha que não sou nada mística.

Mas o papel da ritualização dos processos de intervenção fortalecem o espírito de coletividade, dão vazão a criatividade e a imaginação, produzem alteração coletiva de consciência abrindo vias de comunicação e intimidade às vezes desprezadas no cotidiano árduo de trabalho e de responsa…. Esses processos míticos potencializam as ações, criam sentidos coletivos, trazem a dimensão do infinito para dentro do presente, criam importância para as coisas que se está fazendo… Rompem com a cadeia de repetição da parte burocrática e investem na intensificação da luta…. Colocam todo mundo na relação com a vida que não deve ser escrava da cotidianidade pesada…. Isso é indígena…. Isso é antepassado, é religioso, mas sem o deus ali pra punir ou aceitar o louvor… É o deus da eternidade…. Da necessidade de ser fazer o que se tem que fazer em nome da liberdade do mundo… É a revivificação coletiva da dor de todos…. Isso é a mística do MST… É por isso que antes do MST começar qualquer reunião ou manifestação, começam com essa segunda linguagem (mística, como eles próprios chamam), considerada menor, mas que força o pensamento pensar, e o pensamento só pensa quando é forçado.

5-Sobre o Catadores de Histórias. Quais os trabalhos que o grupo realizou dentro da ocupação Prestes Maia? E por que utilizar o vídeo como registro da ação? Havia alguma discussão no grupo acerca da circulação dessas imagens?

No meu blog pessoal, tu vai encontrar alguns trabalhos catadores feitos na ocupação…. O próprio zaratutra surgiu

Lá no Prestes Maia… Foi a primeira vez que aconteceu…. Foi filho do prestes maia e foi feito com nossa participação.

http//cassandras.multiply.com

O site catadores recém estamos fazendo… Porque somos lentíssimos.

Mas teve vários trampos catadores na ocupação… Criação de coral dadaísta com as crianças, reunião de assembléias com moradores, as vezes ia como Cassandra para as reuniões e assembléia de moradores, performance no pátio com cezinha rosa, que era catador de histórias na época… Casinha por casinha convidando para expor coisas, vídeo documentação integral do evento inteiro…

reuniões com jovens … Depois do ACMSTC, montamos um grupo de jovens para ter aulas de vídeo, cinema e metareciclagem no espaço piolim do Cultura Digital do Ministério da Cultura… Foi massa enquanto durou.

Participamos do início da criação do movimento Comunas Urbanas, considerado dissidência do MSTC…

Ajudamos na criação dos desfiles de moda…

Enfim… Foram muitos trabalhos…

A circulação do material foi sempre precária porque só conseguimos ter uma ilha de edição muito tempo depois do ACMST. E até agora estamos com problemas de edição de materiais e tals. Mas tá indo, mais lento do que gostaríamos, mas a idéia é disponibilizar tudo o que temos, e muitas das nossas imagens estão circulando por vários coletivos

como nos trampos de vj do Bijari e Temp… eles tem muitas imagens Catadores de hIstórias.

6-Há algum tempo, houve uma discussão na lista do Coro sobre a participação

dos coletivos em uma exposição realizada no instituto Tomie Ohtake. Lembro

da seguinte mensagem mandada por você: “o que me interessa nesse circuito da

arte é criar dispositivos concretos e legitimadores de atuação porque, mesmo

parecendo ingênuo, imagino que essa legitimação dos circuitos de arte é

eficaz meio de convencimento social para transformações de certas práticas.

Um exemplo? Discutir vida pública e espaço público a partir de atuações de

coletivos de arte junto com moradores de rua”. Fale mais sobre essa idéia de

“dispositivos concretos e legitimadores de atuação”, tendo como exemplo os

vídeos realizados pelos Catadores de Histórias. Esses vídeos já foram

exibidos em espaços institucionais? Qual a potência que existe nesses

trabalhos em servir como “disparador de novas percepções” nos espaços de uma

galeria, por exemplo?

…as pessoas começam a discutir moradia, modos de vida e agrupamentos coletivos depois de verem os vídeos, vídeos de performances, não são vídeo documentários,,,, é diferente de vídeo do CMI,,,, os nossos tem um caráter mais ficcional

muitas pessoas começam a pensar de outra forma os movimentos de ocupação… Outros ficam bravos, enfim… Não gostam

de ocupações… Mas nossos vídeos já circularam em festivais nacionais e internacionais, as pessoas sempre comentam, falam,

perguntam, houve uma abertura social para discutir moradia…. a repressão Serra atrapalhou tudo isso, tenho certeza

que se fosse a Marta ou Erundina prefeita agora, essa limpeza geral seria muito mais negociável…. É quase ditadura o que vivemos

em São Paulo.

O túlio, o esqueleto, e outros grupos tem apresentado os trabalhos nas ocupações em muitos espaços… Acho que

entra na idéia de amplificação dos sentidos de ocupar espaços inutilizados….

Têm muito sentido ver algo desse tipo numa galeria por que muita gente que não iria nunca numa ocupação , começa a ir e colaborar

em função disso aparecer como algo relevante no mundo dos símbolos/signos culturais… É a mídia utilizada como ativismo da vida.

A arte legitima o movimento e modifica certas práticas, muitas visibilidades que o movimento sem teto de São Paulo ganhou

foi porque tinha grupos de artistas “in” atuando lá… Gente de mídia, gente da noite, gente que é ouvida em suas “experimentações estéticas” … se não fossem artistas com certa entrada no circuito de arte, a coisa não teria ganho a dimensão que ganhou…. E claro, ainda é pouca visibilidade, porque lidamos com forças demasiadas fortes de reacionarismo…

Essa talvez seja a crítica que faço aos artistas que resolveram achar a arte ou a mídia algo “menor” dentro do projeto maior que era o

“político”,,, Minha percepção é que esses grupos diminuem sua própria potência de modificação social quando querem ser políticos

sérios e participarem de ridículas e intermináveis reuniões burocráticas e institucionalizadas só com a “coordenação do movimento” que certamente vai “avisar pra massa nas assembléias” as últimas decisões… Essas democracias cínicas despotencializam a força de intervenção dos coletivos de arte, sem falar de todo o resto.

Mas eu sei que …. cada um faz o que pode.

7-Fale um pouco sobre os projetos com os quais você está envolvida agora.

Vários… Sempre… Essa é nossa esteira contemporânea… Fazer projetos até a morte… Montar o futuro para sobreviver… Entre eles tem um que estou fazendo pra casa Brasil que se chama Aids, multimídia e Cultura Livre… São cursos sobre a questão da epidemia do retrovírus do HIV. A idéia é fazer as pessoas entrarem em contato com o vírus a partir de suas características moleculares e epidemológicas para a a partir disso começar pensar modos de política, preconceito, estratégias e táticas de produção da própria história e melhor, criação da mídia sobre aids, descentralizando-a, tirando ela do software proprietário, problematizando questões de patentes, licenciamento, livre acesso a medicamentos, despreconceitualização social…. Para isso estou me dedicando bastante ultimamente.

Outra coisa é com o movimento da prostituição, principalmente apoiando, escrevendo e fazendo trabalhos sobre a Daspu, como foi o caso do trabalho que participei em Manaus…

Mas catadores de história é mesmo catação de histórias, então entra aí uma grande preocupação com meio ambiente e povos indígenas,

onde pretendo realizar alguns projetos esse ano…

Tem também a G2G que é um grupo de mulheres que discutem gênero e tecnologia… Produzir propostas para inclusão no mundo da tecnologia para mulheres de todos os tipos, que são as mais alijadas dessa produção… aí entra todas técnicas desenvolvidas e principalemente aprendidas com os coletivos de arte e mídia … Colaborar para que as figuras aprendam com criatividade a se apropriarem de técnicas e táticas de produção de mídia pra que amplifiquem seus próprios desejos/produções nesse mundo da informação.

Basicamente isso…

Os catadores ganhou dois prêmios Milton santos da Câmera dos vereadores de São Paulo, um pela produção do ACMST junto com o nova pasta e o outro pelo evento realizado no pátio do colégio com moradores de rua, junto com grupos de arte intervenção como cheiro de capim, Boca de Rua de Porto Alegre (jornal feito somente por jovens em situação de rua)… O encontro chamou-se Ritual de Intervenção e Celebração à Vida… Um encontro entre coletivos de arte e moradores de rua… Esse acabou virando projeto ministerial (saúde e cultura), que trabalha a idéia de fazer eventos de saúde e inclusão digital (por mais problema que cause esse nome).

Bom… acho que é isso…. qualquer coisa estamos aí!!

fabi borges, 7 de março 2007

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