imersão com os etcéteras

Posted on janeiro 25, 2008. Filed under: Uncategorized |

Imersão cogni-sensorial no cotidiano criativo dos etcéteras

 

 

Perdi o escrito na primeira noite etcétera de Buenos aires. Tinha escrito algo sobre noise e democracia ou melhor, que a imagem e sua reprodutibilidade técnica, quando elevada em infinita aceleração pode proporcionar um outro tipo de harmonia que inclui excessos e restos… E como amamos a velocidade.

 

Não quero ser prolixa, mas tem-se que recuperar o pra sempre perdido… uma via de comunicação com a velocidade, a questão é o processo de criação em sua velocidade e tropeços;

 

Essa estranha presença xamânica cuja expressão as vezes devém de forma a agonizar o absurdamente incompreensível, mas que pelo menos junta os corpos… Essa tentativa de misturar as artes visuais eletrônicas; o corpo se produzindo como super-homem… acima de toda moral e todos valores, isso seria nazista, uma linha nazista? marco zero, um grupo que faz noise-nazi está tocando agora… Fazer o corpo nazista tocar … Até onde iria? É o assassinato que lhes importa? Sade e nazismo acoplados no imaginário de pasolline…

 

Ela rompeu o limite do palco e respectivamente dos corpos… O que queremos com a performace assignificante? Fugir da palavra, balbuciá-la mas tomá-la, torná-la importante do mesmo jeito, blindar a diferença não é a solução…

 

Qual seria então???? O devir metálico é assustador. O temível robô! A mecanização até a inconsciência. Não uma contaminação sanitável? Epidemiologicamente organizável em extratos diferenciais, cujo respeito infere diretamente na segmentação dura do preconceito. A institucionalização do que há nos moldes de gesso ou de metal… a arcada dos dentes, o osso, é sempre de uma fuga que se trata, uma fuga de si mesmo, de sua própria fisionomia… a caricatura de um sorriso forçado.. a chaleira assobia. Não há saída?

 

A insônia, a vigília, o não dormir do boêmio, do drogado, da prostituta voluntária ou paga, vender o sono, o sonho, já se faz há muito na clínica psicanalítica e na propaganda, o escrache vale ainda pouco no mercado, é trabalho necessário de producers e curadorias…

 

A colaboração que sustenta o novo mercado sustenta também algo de bem intangível, talvez até insuspeito, indigesto, suave ao mesmo tempo… Um afogar-se em si sustentando-se a si, o si servindo para conivência; a confraria sempre se serviu de riquezas, contabilizáveis ou não… A brincadeirinha dos homens… Brincar de confraria… Como num pequeno surto de descoberta do que não há, trata-se de uma dimensão inventiva. Hay que invertá-lo!

 

A imersão duvidosa é a indicação do infactível… O infactível é o dejá-vú da matrix… A imersão duvidosa de entrega e afogamento. Os tropeços da máquina é sua própria respiração…

 

Saudações aos heróis do romantismo atualizado… Ainda se deixa os pelos crescerem em sinal de puro descaso involuntário e também uma certa subjetividade estética mudando de direção, sem fidelidade, ora careca ora dispersa.

 

A mão funcionando como máquina de produção de sentidos, não que haja um fora absoluto, ou que não exista nenhum fora, é a virtude do tropeço, do erro, do que não é e nem deve ser, mas que vem!!! a revolução do ato falho sendo estrangulada por sua definição e origem.

 

Claro a pergunta: como defender a identidade e multiplicidade ao mesmo tempo? Como classificar a necessidade de confraria então? Os negros e as mulheres, e os isso e aquilo não deveriam estraçalhar-se no infinito do múltiplo?

 

A memória nesse caso tornar-se-ia uma afronta, porque serviria como idiossincrasia de rememoração, ela também pode tornar-se a fuga de si pra sempre, porque incapaz de rememorar sem inventá-la. Brincar de confraria e de poder, transformar o poder em vinho e tomá-lo, etcétera. Não nos conformarmos com o erro, mas tê-lo como condição… Mesmo que nenhum de nós estejamos preparados para receber Sade e Artaud em casa para jantar.

 

Sentir-se aquém do poder e tomá-lo a golaços. Com gelo, como ruído de ambulância e polícia o que se quer e ainda não se sabe… Por causa do improvável qualquer de todos os dias…

 

A absorção sintomática e fisionômica que seja, sentindo a ventania-físio, expoente; esquizofrenia e capitalismo… já disse tudo o homem. Tinha que ser!

 

A zona baixa da expressão… inaudita que se vai em afogamento até ao impronunciável… e um amor… um reconhecimento… a conivência de quem navegou mares sombrios, vendo a própria morte no pôr do sol… O sinistro véio.

 

A intuição compactível e compactável inventando fugas e rugas… As ruas do ingênuo são vúlvicas e escrotas… A suavidade do relento afável, generosamente confortando o vigilante, cansado de vigiar o que não está ali… A negativa do acontecimento em toda sua alegria. Ser-se generoso para si e para vós, é uma aposta nas correntes do desejo de universalidade, não confundida com os prepotentes proponentes dos impérios, a universalidade acessível e diferente de si em sua impossibilidade de igualar-se mas criar fios… Um apelo rítmico que seja.

 

No manifesto errorista tem que se pedir para o departamento dos cabos e fios de conexões de informações, que entre em consenso para que não tenhamos tantos tentáculos, mas sem exploração de mão de obra, por favor… Trabalho e férias não são e nunca foram antagonistas… Os dois se sustentando em cotidianidade livre!

 

Cotidianidade livre é a noção de liberdade de escolha de como se viver o dia e a noite. Com uma cotidianidade aberta para o azar, o evento, o acontecimento, o riscos, as vulnerabilidades e os cuidados de si e do outro no mundo. Etcétera, etcétera, etc.

fabi borges

catadora de histórias

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