metasubcibertrans por dolores galindo

Posted on janeiro 25, 2008. Filed under: Uncategorized | Tags:, , , , , , |

http://interfaceg2g.org/node/472


por Dolores Galindo

Sobre a performance metasubcibertrans

 

 

Sobre a performance metasubcibertrans

Metasubcibertrans_mutação_

A primeira performance MetaSubCiberTrans tem seu espaço no corpo ao qual são precariamente atados dispositivos técnicos. Nos seios, mouses. No estômago, uma placa-mãe. Na boca, portas de conexão. Na vagina, um mouse. Na cabeça, um chapéu de feltro. No colo, palavras escritas em batom vermelho. E, desfazendo signos identitários, uma máscara perfaz dois olhos.

Há a repetição do pênis, no mouse. Há a repetição da boca, na placa de conexão. Há a repetição do estômago, na placa-mãe. Há a repetição dos seios, nos mouses. Há a repetição da face, na máscara. Na repetição, perfaz-se uma sintaxe composta pela disposição dos prefixos meta, sub, ciber e trans onde o primeiro desloca os demais da sua função literal.

Deparamo-nos com um dispositivo sócio-técnico feito com peças e cabos que não conectam. A força da performance não está no aprimoramento das potencialidades da interatividade ou da simbiose entre corpo e máquina – os aparatos são obsoletos. Da precariedade, inscrita na adoção do prefixo sub, emerge grande parte da potencia da performance. Sonha a metasubcibertrans com computadores vestíveis ligados a outros tantos dispositivos? Os fios, repitamos, não conectam; alguns aparatos estão, inclusive, amarelados pelo tempo. Teria a metasubcibertrans fugido de um sonho tecnológico não concretizado?

No híbrido, se entrevêem os seios. A visão do contorno das pernas faz do sexo potencia de criação e de relação. Sexo também obsoleto frente ao instável arranjo atado com fita adesiva. Divisa-se uma metaficcção que questiona os limites do sexo como marcador identitário e da rede de comunicação como utopia civilizatória. Desta vez, a inscrição se dá no prefixo ciber e, como apontam, as integrantes do g2g, grupo do qual faz parte a performer – o ciberfeminismo nunca chegou à América Latina. Até que ponto, em nosso contexto, o tropo ciborgue funciona para a desconstrução de dicotomias e relações de poder de base tecnocráticas?

Os dispositivos técnicos não compõem um exoesqueleto nem são introduzidos na espessura da carne. A performance se dá na superfície da pele. A voz está retida pelas portas de conexão cujos cabos envolvem o pescoço e instalam constrições de movimento. O dispositivo que conecta é o mesmo que depõe acerca da insuficiência no uso das redes de comunicação. O mouse se interpõe à vulva. Como na minoutaire de Dali, o corpo trans figura-se ao desfazer os contornos nítidos entre feminino e masculino, entre humano, animal e máquina. Pensa a metasubcibertrans em cyborgs e ratos destinados a finalidades médicas?

Atada por fios e cabos, a performer não se interliga a outro dispositivo – a sustentação dos aparatos está no corpo. Nos cabos que saem das portas analógicas não correm feixes de informação. Performance e política se entrelaçam num corpo que se situa às margens dos fluxos tecnológicos de comunicação. Sonha a metacibersubtrans com feixes de informações binárias percorrendo os cabos que a atam? Tem-se um corpo open source, aberto, instável.

A criatura não agoniza, sorri fixamente – linha horizontal estirada na face. Em uma das imagens do trabalho, por meio da mão em riste que segura um punhal, é instalada uma figuração ritual. A junção imperfeita entre corpo e aparatos, característica da metasubcibertrans, delineará um gesto fágico e, posteriormente, a autonomização dos aparatos em relação à ordem corpórea.

Make a Comment

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Liked it here?
Why not try sites on the blogroll...

%d blogueiros gostam disto: