ocupações como foco de intervenção na vida pública

Posted on janeiro 25, 2008. Filed under: Uncategorized |

OCUPAÇÕES COMO FOCO DE INTERVENÇÃO NA VIDA PÚBLICA

Ocupação é um ato atípico nos territórios comuns da cidade. Todas as reuniões prévias, todos os mapeamentos e pesquisas dos locais, todos os segredos, a confiança construída, ganham sentido no ato da ocupação: Bacanal de adrenalina! Orgia de hormônios cúmplices! Os despejados do mundo unidos numa estranha potência (poder dos fracos), de alterar os mecanismos burocráticos do poder. É no limiar do temor e da euforia que esses despossuídos tomam de assalto um espaço ocioso. Imbuídos de uma certeza radical do seu direito, eles sofrem o medo do flagrante, ao mesmo tempo em que esse mesmo medo é o que fortalece sua ação. Para a lei, é muito tênue a diferença entre uma quadrilha de bandidos e um movimento de ocupação, a qualquer descuido pode-se enjaular um líder de movimento por crime organizado, por isso medo e adrenalina são os componentes essenciais no ato de ocupação, cujo desafio é enfiar o pé na porta, adentrar novos territórios, instaurar modos diferenciados de convivência e sentidos de vida. Eis o vício de um ocupador. A pobreza tende a nos ensinar a lição do limite: ponto onde se transmuta ou se sucumbe. A força vai sendo retirada da decadência; da lentidão desesperadora de ver o teto ruir, a comida acabar, a bala matar o filho que dormia em barraco de papelão.

Exu mensageiro:

Catadores de Histórias <catadores@uol.com.br> wrote:

Sent: Tuesday, June 01, 2004 1:28 PM

Subject: apoio à ocupação de prédio das comunas urbanas

aliados,

sábado dia 29 de maio de 2004 ocorreu a ocupação de um prédio na avenida guapira 232, bairro Tucuruvi.

Essa ação ousada, realizada apenas por dezessete pessoas, foi a primeira ocupação feita pelo grupo Comunas Urbanas, ligado ao Movimento dos Sem Teto do Centro – SP. Em torno das 03:00 da madrugada de terça-feira completaram-se às 48 horas necessárias legalmente para os ocupantes lutarem pela permanência no local. Hoje, dia primeiro de junho, uma pessoa responsável pelo edifício, acompanhada da polícia militar, foi requerer a sua reintegração de posse. Aparentemente não conseguirá isso imediatamente. O Comunas Urbanas é uma iniciativa de Mariah Leike, Adriana e Janiz que pretende utilizar espaços ociosos, desapropriados, endividados com o poder público, para fins de criação de cooperativas, centros de cultura e moradia. Deseja-se que o prédio ocupado seja um ponto de confluência entre política, arte e trabalho, que beneficiará além dos moradores, a população do bairro e da cidade de São Paulo.

Convidamos a todos para que conheçam melhor esse projeto, indo até prédio, prestando seu apoio nesse momento de delicados trâmites jurídicos e policiais. O movimento precisa de pessoas dentro do prédio!!! Você pode contribuir com sua presença, mas também com sua criatividade espirito de luta.

1. contribuição com alimentos

2. velas (não há luz no prédio)

3. visite e faça sua arte ; é importante começar desde já a mostrar os objetivos reais dessa iniciativa

4. divulgue para os seus aliados,

comunasurbanas@bol.com.br
Mariah Leick 81778659
Janiz Martinez 98100713

Adriana Veríssimo 81862148

Comunas Urbanas – o C.U. está aberto!!!

endereço AV. Guapira 232, 242 – Tucuruvi. (três quadras do metrô Tucuruvi)

x x x

Diferentemente dos movimentos de luta pela terra, onde trabalho e habitação podem se desenvolver no mesmo espaço, os movimentos por moradia na cidade se defrontam com diversas dificuldades para fazerem dos prédios ocupados, locais de produção de renda para os militantes/residentes. Essa dissociação entre local de moradia e de trabalho faz com que os objetivos de muitos ocupantes se voltem exclusivamente para a aquisição da casa própria. Luta muito digna e legítima, diga-se de passagem. Mas e depois, quando a família já conquistou sua casa, que relação ela mantém com aquele coletivo de ação? É sobre a sensação de coletividade e propósitos de luta mais amplos que as Comunas Urbanas pretendem intervir. Desfocalizando a aquisição da casa própria da cena primária de luta, eles pretendem dar ênfase a possibilidades de auto-gestão e auto-sustentação dos moradores nos locais ocupados, através das habilidades que eles próprios possuem e dos colaboradores que não moram no prédio.

Os colaboradores estão sendo chamados para encontros no prédio, já há alguns grupos de artistas, universitários e políticos envolvidos com as ocupações, – Mas o barato é intenso e o processo é lento!

Exú Mensageiro:

Esqueleto coletivo <esqueletocoletivo@yahoo.com.br> wrote:

Queridos agregados ao CORO (Conversa em Roda)

está confirmado nossa reunião com as Comunas Urbanas (C.U) neste Domingo 04
de Julho o encontro CORO
na Avenida Gruapira nº242, dois quarteirões da estação
Tucuruvi do Metrô.

Durante o Fórum Cultural Mundial 2004- SP, houve uma convocação aos coletivos envolvidos com intervenções urbanas de São Paulo, Rio de Janeiro, outros lugares do Brasil e da América Latina, ao edifício do C.U. Foram umas 30 pessoas.

Essas conexões híbridas entre diferentes movimentos sociais ainda estão em fase incipiente, e apresentam uma série de problemas que impedem sua expansão. Uma das dificuldades que detectamos é a travessia entre as classes sociais: a classe média e acadêmica, geralmente é convocada pelos movimentos sociais para dar oficinas educacionais e realizar projetos financiados ou voluntários. Não é de hoje, que os “menos favorecidos” são focos de criação de emprego para a classe média. Essa cultura de “educar os pobres” dificulta as iniciativas que visam outras possibilidades de ação, como a criação de cooperativas e moradias coletivas que juntassem analfabeto, artista, catador de papelão e acadêmico na mesma luta.

Não acreditamos que ainda caiba em nossas ações a idéia da troca e do perspectivismo cultural hipócrita que reapareceu na década noventa, em que o intelectual, o acadêmico, tentava suavizar a diferença que oprimia a relação, com falas do tipo “mas você tem a sua cultura”, “você também é especial”. Ora bolas! É nas situações limítrofes, quando nos encontramos todos nas bordas extremas da experiência (trágica), que vemos essas discrepâncias desmancharem-se no ar.

Experimentações públicas. Ocupações Imateriais:

– De onde vêm a idéia de Ocupações Imateriais?

– Partindo da idéia de que o trabalho em grande escala já não é fundamentado na mão de obra fixada em esteiras (fordismo), mas sim na inteligência e intuição humana (cognitariado), achamos interessante ampliar o uso do conceito de trabalho imaterial, utilizado por Toni Negri, para outras instâncias, transformando o próprio conceito.

– Que instâncias?

– Das ocupações, por exemplo. Há vários tipos de ocupações, mas trabalhamos com o entrelaçamento de duas: territoriais e imateriais. As primeiras, são as lutas por espaço real, urbano ou agrário, onde se pretende fixar residência, produzir e trabalhar, enfim, um espaço de vida. As ocupações imateriais dizem respeito aos territórios subjetivos, construídos a partir de critérios intelectivos, emocionais e intuitivos, que no caso dos nossos eventos, visam ações celebrativas onde se possibilite a confluências de movimentos através de agenciamentos heterogêneos, re-significando conceitos, modos revolucionários, provocando hibridismo dentro de estruturas burocratizadas.

-As ocupações imateriais não visam uma finalidade específica ou visível, concreta. Não há centro de poder, de mídia. Ocupações Imateriais são um caldo caósmico que funciona como plataforma de lançamento de projetos coletivos, que muitas vezes podemos nem ficar conhecendo. Como um festival ou uma TAZ. O Sarau Ocupação, no centro de formação do MST, no projeto Comunas da Terra, foi assim…

– Pois é, não tinha roteiro, mesa coordenadora… Um monte de gente tava lá por causa da idéia de Ocupação: “Que cada um amplifique o acontecimento de acordo com suas próprias conexões”.

– É, e foi também o dia em que a Mariah Leike divulgou pela primeira vez o Comunas Urbanas, que uma semana depois iria ocupar pela primeira vez, um prédio na Av. Guapira.

x x x

OCUPAÇÃO IMATERIAL NO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TERRA –COMUNAS DA TERRA

Comunas da Terra é um novo projeto do MST cujas ocupações são feitas em zonas próximas às grandes cidades. Tem como um dos seus mais importantes objetivos transversalizar projetos entre cidade e campo, a fim de construir novos agenciamentos políticos, econômicos e humanos. A regional de SP, tem feito uma série de encontros com estudantes, intelectuais, artistas, e já estão surgindo várias propostas coletivas. A idéia é que a Luta pela Terra, seja bem mais do que a luta pela reforma agrária.

“A terra deve ser um bem comum e não propriedade privada. Deve (…) garantir trabalho às pessoas e a produção de alimentos para alimentar a humanidade, preservar o meio ambiente e a natureza. Não deve ser objeto de especulação imobiliária, muito menos meio de exploração e subjugação do homem sobre o homem. (…) um território que as pessoas possam morar, trabalhar, ter alimentação garantida com possibilidade de renda, com espaços garantidos para atividades sociais e culturais., (…) o contato com a terra e a natureza, certamente é o sonho de muitas pessoas. O importante é (…) o planejamento na educação, saúde, esporte, lazer e cultura e também na moradia (…) Delwek Matheus – MST

Num domingo de maio fizemos um sarau sobre ocupações na sede estadual do MST, onde cerca de 300 pessoas se encontraram. A maioria não se conhecia. Um muro de 200 metros foi ocupado com grafite, cartazes, mensagens, artistas da zona norte, sul, leste e oeste se manifestaram, vídeos na parede interna da sede, músicos dando o ritmo, ritual de mandala, luz de velas pelo chão. O Sarau era uma Ocupação Imaterial, quer dizer, um tempo-espaço onde pessoas que fazem seus diferentes tipos de ocupações pela vida se juntaram num clima de celebração para trocar experiências, apreender com outros trabalhos e se regozijar ao reconhecer os aliados: ocupação de terra para plantio, de prédios para moradia e cultura, das ruas para mostrar sua arte ativista, para cantar contra o capitalismo ou a guerra no Iraque, ocupação de reitorias universitárias, de mídias alternativas, de estação de metrô, das ruas pelo abuso no preço das passagens. Fortalecimento da biopotência para escapar do onicontrole! O que queremos é o encontro das tecnologias das ocupações imateriais com as das ocupações materiais: o pé de cabra e a enxada interagindo com a câmera de vídeo e o performer; uma multidão em passeata de pernas de pau segurando um globo verde e azul nas mãos…

Exu mensageiro…

SEM-TETO DE GUARULHOS FAZEM MAIOR OCUPAÇÃO DA HISTÓRIA DA CIDADE (MTST)- Resistência Popular São Paulo, 4 de Junho de 2001 (Fonte: www.rp-sp.hpg.ig.com.br/opiniao/semtetoocupacao.htm)

REITORIA DA UNESP OCUPADA! INFORME URGENTE!

UNIVERSITÁRIOS OCUPAM O MEC EM SP/09 estudantes de universidades privadas e públicas ocuparam a sede do MEC em São Paulo, em protesto contra as mensalidades abusivas das universidades privadas e contra a reforma universitária proposta pelo governo.

OCUPAÇÕES DE TERRA AUMENTAM EM 2004 E MORTES NO CAMPO DIMINUEM

Brasília – Entre 1º de janeiro e 14 de abril de 2003, foram registradas 96 ocupações de terra por trabalhadores rurais, envolvendo 13.886 famílias. No mesmo período de 2004, o número de ocupações chegou a 99, com 19.419 famílias envolvidas. Isso representa 3,1% a mais em relação às ocupações e 39% em relação às famílias.(fonte: www.agronline.com.br)

Exu mensageiro…

Comunas Urbanas sofreu reintegração de posse em setembro de 2004 em todos os prédios que ocuparam. Ficaram vivendo na calçada da rua Frederico Stedile por três semanas, logo depois foram incorporados por outros movimentos de moradia. Comunas Urbanas acabou? Dona Neuza com sete filhos manterá sua vontade de ter um espaço que funcione como casa, cooperativa e cultura onde estudantes, artistas, catadores de papelão e analfabetos coexistam em cooperação? Ainda não sabemos. Mas desejamos que o projeto se espalhe.

A multidão como enxames de insetos, ataca e se multiplica. Quiçá!

Fabiane Borges << Catadores de Histórias >> Rafael Adaime


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