ocupações e contemporaneidades

Posted on janeiro 25, 2008. Filed under: Uncategorized | Tags:, , , , , , , |

Resumo do trabalho apresentado no V encontro de performance e política – Instituto Hemisférico

PERFORMANCE E RAÍZES: PRÁTICAS INDÍGENAS E CONTEMPORÂNEAS E MOBILIZAÇÕES COMUNITÁRIAS

OCUPAÇÕES COMO PERFORMANCE PÚBLICA

O conceito performance está em expansão, talvez isso seja devido a força contida nessa ação: poder ruptor de cotidianidades.

Performance é manifestação expressiva de virtualidades, cuja potencia se atualiza no acontecimento.

Qualquer ato vândalo pode ser qualificado como performance, assim como o terrorismo o pode, a ciranda de roda também e a possessão, o surto esquizofrênico, a alegria desmedida, uma atuação no palco italiano…

A força de uma manifestação independe da moral impingida sobre ela.

A performance se efetiva enquanto revelação.

Revelação como denúncia e descoberta, ao mesmo tempo. Dar à luz: mesmo que ínfima e atroz.

Depois do ato, a análise do ato, que carrega quase sempre, um jogo implícito moralizante que volta a encobrir a revelação.

Revelação 1: Performance dos pobres – ocupações e desocupações…

O mapa da cidade sofre estranhos tremores e se desconfigura lentamente, conforme se dão os êxodos urbanos.

Migrações internas, populações em deslocamento.

Uma massa miserável adentrando inusitados territórios: disfunções da cidade. Espaços ociosos cheios de dívidas – antigas dádivas.

A pobreza tende a nos mostrar o sentido radical do limite: ponto de transmutação ou supressão.

Os despejados do mundo formam pequenos bandos e se atrevem a habitar. São bandos-quadrilhas-de-bandidos-invasores quando pegos pela Lei; até poderem provar que são bandos-Movimento: CNPJ, Financiadores, Advogados…

Mapa trêmulo: insuspeitáveis variações nos territórios comuns da cidade territorial e burocrática.

Revelação 2: Ocupações como Performance pública.

O ato de ocupação traz em si poder ruptor de cotidianidade.

Possibilidade de abandonar o território dado: cortiços, favelas e se adentrar a um social em agitação: movimento que ocupa espaços ociosos.

Um estranho brilho no olho que volta, uma antiga esperança resgatada, que as vezes passa, devido a cotidianidade do rompimento, a burocracia hierárquica habitual do Movimento Social.

Essa performance coletiva de ocupação traz à tona vertiginosos sentidos: resgate de potência coletiva, atualização de memórias esquecidas, retomada de sentidos, intervenções públicas.

As quarenta e oito horas iniciais de qualquer ocupação, são as mais arriscadas e as mais ricas em espírito comunitário. Nesses momentos as singularidades são amplificadas, os saberes específicos valorizados ao extremo: o que faz gambiarras, o que manipula o pé de cabra, o curioso investigativo, o que faz comida-para-todos, o que gosta de crianças, o que negocia com a lei, caso ela apareça representada pelas viaturas policiais.

As ocupações no entanto, são performances públicas invisíveis ao público, diferente do ato de despejo, quando a comunidade local e os passantes ocasionais assistem a expulsão de uma população inteira. Desterritorialização. Abandono do cotidiano e novamente a inspiração no agrupamento: instauração de novos projetos.

Revelação 3: Ocupação e Contemporaneidade

Devido a abundância de sentidos que suscita os atos de ocupações na contemporaneidade, temos nos dedicado a construir espaços de ações que se dêem entre as ocupações e os coletivos de arte atuais, imaginando que essas conexões híbridas possibilitem a potencialização de ambos movimentos.

Apresentação do trabalho Ocupação e Contemporaneidade com o relato de três ações realizadas.

ACMSTC: Arte Contemporânea no Movimento dos Sem Teto do Centro

Ocupações Imateriais: Movimentos de moradia – terra – arte – mídia – junventude no mst(movimento dos trabalhadores sem terra)

AÇÃO NO DESPEJO: Ação performática feita no despejo do Comunas Urbanas –Zona Norte São Paulo.

(julho 2005)

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