reminiscências sinápticas das interventivas ocupadas

Posted on janeiro 25, 2008. Filed under: Uncategorized |


por fabi borges e hilan bensunsan


As pessoas começaram a se cutucar sem querer saber ou querendo saber muito das credenciais de classe, dos hábitos diurnos, de examinar o que cada músculo minúsculo poderia fazer por aquela multidão em embrião toda desarticulada, sem ossos, sem tendões, só feita de alguns sens indefinidos, uns gens indeferidos, pura placenta. Os coletivos borbulhavam com luzes de aparelhos portáteis, com materiais descartáveis, com roupas maleáveis por quartos que eram cozinhas que eram lavanderias que eram ágoras de lona preta; nossos desejos intrometidos por lona preta; nossas galerias de exposição cobertas de lona preta e era de um nossa sem nós, um nó que se costurava todos os dias com a polícia de São Paulo desocupando o que estava ocupado, nos ocupando.

Foram noites em que eu me carreguei de tonturas, tudo era noise, eu, lambuzada de abuso de poder, parecia que a língua áspera do poder de são paulo me revirava as entranhas, a barriga triscada por metralhadoras contra sacos de que eu queria um mierdazo pelas ruas, ocupando cada boca de viaduto, cada sushifoco – eu já estava toda pronta para rent a flat above a shop, cut my hair and get a job, smoke some fags and play some pool and even pretend i never went to school mas que nada, nada queria contemporânea ocupação, elegante e com o bucho preto de fora, fora foram todos por uma mesada. Foi minha primeira experiência de afinar estes pianos, e que outros pianos eu poderia afinar; pronta para partir para o centro que eu queria ocupar as suítes presidenciais dos motéis do palácio do planalto pelo menos para uma noite na piscina com a Dona Cândida, com todos os moradores dos okupas e fazer eles porem a rédea curta em todas as rampas won’t be televised. Ali, no ACMSTC havia vontades sem destino certo, estopa molhada de álcool por todos os dias guiada pela beleza das nossas armas, a justeza profana segurando os invasores agarrados a nossa saia, toda justa, cada morador pronto para sair em mierdazo pela paulista, first we take manhattan, then we take berlin. Dobrar as esquinas, colocar cada guarda de rua na minha horta, kabo kaki eles vão embora – a espiral do prazer com o poder, do forró com o noise, do suor com a tinta acrílica importada, dos mosquitos dos encanamentos encardidos da prestes maia com minha libido.


E proto-personae-non-grata feita aglomerado de homini sacri sendo despejada é pensá-lo como expressão ontológica porque oficialmente deontológica, sígnica porque oficialmente insignificante e performática porque oficialmente apática que se movimenta.

Aguas Belas, Ceará, setembro 2007

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